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Dor da Coluna Vertebral de causa inflamatória:
espondilite anquilosante

Inflamatórias da Coluna Vertabral

Coluna Vertabral

Entre as doenças inflamatórias da coluna vertebral o grupo das espondiloartropatias são importantes. Fazem parte dessas doenças: espondilite anquilosante, artrite reativa, artrite psoriásica, artrite das doenças inflamatórias intestinais( retocolite ulcerativa, doença de Crohn) e as formas indiferenciadas, visto que todas em alguma fase de sua evolução poderão ter estruturas da coluna vertebral acometidas.

Espondilite Anquilosante

É uma doença inflamatória da coluna crônica que acomete preferencialmente a coluna vertebral, podendo evoluir com limitação funcional progressiva e rigidez da mesma. Ela também pode comprometer articulações periféricas (ombros, joelhos, tornozelos, coxofemorais, etc.).

O processo inflamatório atinge todas as estruturas da coluna particularmente a inserção dos tendões e ligamentos no periósteo (estrutura que envolve os ossos) e na sua evolução ossificação abaixo dos ligamentos em qualquer região, dando origem as pontes ósseas entre os corpos vertebrais ( sindesmófitos).

Esse processo promove o enrijecimento de qualquer região da coluna com endurecimento da mesma (anquilose fibrosa e óssea), que à imagem do Raio –x tem aspecto semelhante a um “ bambu”.

Aspecto de bambu.

Esta doença incide preferencialmente no sexo masculino, na proporção de 4 a 5 homens para uma mulher, idade de início habitual dos 16 aos 30 anos, porém existem relatos de início na infância.
Inicialmente o paciente costuma se queixar de dor lombar baixa de inicio insidioso, que melhora com o movimento e piora com o repouso. Outras vezes o inicio é agudo de difícil localização, definindo-se em seguida na região da transição dorsolombar, lombar ou na articulação sacrilíaca.

A dor é de intensidade variável, geralmente com piora noturna e, pela manhã ou após períodos de inatividade. Melhora com exercícios e banhos quentes. Esta associada à rigidez vertebral que pode permanecer por três ou mais meses. O paciente pode apresentar dificuldade em sair da cama, e às vezes acorda com dor durante o sono.

A dor pode estender-se à coluna dorsal ou cervical, ou ficar restrita a um segmento. Existem casos pouco sintomáticos, porém com rigidez vertebral. Outras articulações periféricas como joelhos, ombros, tornozelos, podem ser afetadas, antes ou concomitante ao envolvimento da coluna vertebral. A dor nos calcanhares (talalgia), ao pisar no solo pela manhã é comum. Comprometimento nos locais em que os tendões e ligamentos se inserem no periósteo (entesopatias) é comum. Sintomas como febrícula, falta de apetite, fadiga e fraqueza podem preceder ou serem concomitantes com os sintomas da coluna.

Esta doença não acomete apenas o aparelho locomotor. Outros órgãos e sistemas poderão ser afetados, tais como os olhos em especial a uveíte anterior aguda em 25 a 30% dos casos que pode preceder o quadro articular ou manifestar-se mesmo que a doença esteja em períodos de inatividade clínica. O coração em 1% dos casos. No acometimento dos pulmões fibrose no seu ápice. Lesões do intestino são diagnosticadas pela colonoscopia.

Ao exame clinico limitação do arco de movimento da coluna podendo associar-se a atitudes viciosas, como a “posição do esquiador” e em algumas situações limitação significativa da expansão do tórax.

Após a historia, antecedentes, exame clinico geral e reumatológico, o médico solicita zelosamente exames para a confirmação do diagnóstico. Entre os exames, inicialmente de sangue: a velocidade de hemossedimentação (VHS) e a proteína C reativa (PCR) e pesquisa do marcador genético (HLA-B-27) que pode ser detectado em até 85-90% dos casos. A seguir exames de imagem: Raios-X simples (articulações sacrilíacas, coluna e articulações periféricas comprometidas); Ressonância magnética é o exame de escolha, pois, estuda a porção sinovial e o edema ósseo da articulação sacrilíaca e na coluna vertebral estuda o comprometimento precoce das partes moles e dos corpos vertebrais. O Mapeamento ósseo pode ser solicitado a critério médico.

Tratamento Doenças Inflamatórias da Coluna Vertebral

O paciente deverá ser informado e conscientizado de todos os aspectos da afecção, enfatizando que a doença não é curável, porém com períodos de piora, melhora e remissões.

O diagnostico precoce e tratamento correto permitirá uma evolução favorável, com qualidade de vida satisfatória.

O tratamento farmacológico permite intervir de maneira precoce na inflamação e, tem como objetivo reduzir a dor e minimizar as seqüelas. São utilizados antiinflamatórios não hormonais, analgésicos não narcóticos, antiinflamatórios hormonais (infiltrações), e terapias que procuram modificar a evolução da doença. Nos casos em que a terapia convencional não exerce mais efeito (refratária à terapêutica l), utilizam-se as terapias biológicas.

A reabilitação física é fundamental, sendo a motora e respiratória (cinesioterapia), a natação e a hidroginástica as opções com melhores resultados. O tabagismo obrigatoriamente tem que ser abolido, visto que em vários casos a expansão do tórax esta prejudicada, o que aumenta o risco de infecções. As articulações periféricas deverão ser protegidas por órteses.

O apoio psicológico e vocacional é necessário, sendo que os familiares devem ser alertados quanto à agregação familiar dessa doença, o que obviamente não os impedirá de ter filhos. A chance de um paciente com espondilite anquilosante ter um filho com a mesma doença é 1,5%. O tratamento cirúrgico da coluna vertebral e raro e nas articulações periféricas próteses, quando houver indicação. A evolução da doença na maioria dos casos é favorável.

As deformidades são observadas após um período de 10 anos ou mais de evolução, quando o diagnóstico não for realizado precocemente e o tratamento não for eficaz.

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